O PS/Faial acusou hoje o Governo Regional de “voltar a ignorar o Faial” e de tomar decisões com impacto estratégico para a ilha “sem auscultação séria, sem transparência e sem apresentar fundamentos técnicos ou financeiros”.
Em causa estão as declarações do Presidente do Governo Regional à Antena 1 Açores sobre a alteração do modelo de transporte marítimo de mercadorias para o Grupo Ocidental, que prevê o afastamento do Porto da Horta da operação de abastecimento marítimo às ilhas das Flores e do Corvo.
Para Frederico Soares, secretário coordenador do PS/Faial, estas declarações “confirmam aquilo que o PS/Faial há muito tem vindo a denunciar: o Faial perdeu influência política junto do Governo Regional e continua sem capacidade de fazer valer os seus interesses estratégicos”.
“O Presidente do Governo Regional afirmou que esta é a melhor solução para o Corvo antes mesmo de responder ao requerimento apresentado pelos deputados do Partido Socialista e antes de analisar devidamente a carta enviada pelo Presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, que solicitou a reavaliação desta medida”, afirmou Frederico Soares.
O dirigente socialista considera “profundamente preocupante” que uma decisão com impacto direto no Porto da Horta e na economia da ilha tenha sido tomada “sem qualquer auscultação séria ao Município da Horta, ao Conselho de Ilha ou às entidades diretamente afetadas”.
“O Governo Regional continua sem apresentar os fundamentos técnicos e financeiros concretos que sustentam esta alteração. Até agora, os açorianos apenas ouviram referências genéricas a uma alegada melhor solução, mas não conhecem estudos, análises ou dados que expliquem como uma operação mais distante pode representar uma melhoria efetiva do serviço”, sublinhou.
Frederico Soares recordou ainda que José Manuel Bolieiro esteve no Faial, em abril, reunido com o Conselho de Ilha.
“É inaceitável que o Presidente do Governo tenha estado no Faial, em abril, reunido com o Conselho de Ilha, dizendo que vinha ‘de peito cheio’, e não tenha informado os representantes da ilha de que estava a ser preparada uma decisão com impacto estratégico para o Porto da Horta e para a economia faialense”, afirmou Frederico Soares.
Para o PS/Faial, esta situação “não é um caso isolado”, mas antes mais um sinal de um processo de desvalorização da ilha por parte do Governo Regional.
“Persistem os problemas nas acessibilidades aéreas, continuam por concretizar investimentos estruturantes para a ilha e, na prática, quase só estão em curso investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência. Ao mesmo tempo, assistimos ao esvaziamento progressivo de serviços públicos e competências regionais, ao abandono do Porto do Varadouro, à degradação das estradas regionais e à ausência de uma aposta própria e séria do Governo Regional na habitação, para além dos investimentos promovidos pela Câmara Municipal da Horta ao abrigo do PRR”, afirmou Frederico Soares.
O secretário coordenador do PS/Faial manifestou também preocupação com aquilo que considera ser “a redução do apoio e da aposta do Governo Regional em eventos estratégicos de promoção do Faial e dos Açores”, apontando como exemplos iniciativas pioneiras e com reconhecimento internacional, como o Trail Run, “que ao longo dos anos ajudaram a afirmar a ilha e a Região como destino turístico”.
Também o setor agrícola foi referido pelo PS/Faial como exemplo da “falta de consideração política e institucional” do Governo Regional para com a ilha.
“A incapacidade do Secretário Regional da Agricultura em reunir com a CALF demonstra bem a importância que este Governo atribui ao Faial e às suas instituições”, criticou Frederico Soares.
O PS/Faial considera que o atual ciclo político tem contribuído para a perda de relevância da ilha e defende que é necessário “fazer mais para travar este esvaziamento contínuo”.
“O Faial precisa de representação firme, capacidade reivindicativa e uma defesa séria dos interesses da ilha e da coesão regional. O que se exige ao Governo Regional é respeito institucional, transparência nas decisões e compromisso efetivo com o desenvolvimento do Faial”, concluiu Frederico Soares.